Comedores compulsivos noturnos são conduzidos à geladeira por um sistema ligado ao estresse
Acredita-se no meio médico que o comedor compulsivo noturno, que acorda diversas vezes durante a noite para comer (cerca de 1% a 2% dos adultos em geral e um quarto das pessoas muito obesas), deve seu trânsito frequente entre cama e geladeira a uma desregulação do seu ritmo circadiano, o aparato do organismo que indica quando é hora de dormir e hora de acordar.

Mas uma pesquisa feita na Universidade de Tromso (Noruega) achou uma outra causa: os comedores noturnos seriam afetados pelo hormônio cortisol, motivados por uma desregulação do mesmo sistema que controla o estresse e que já foi relacionado a diversas outras anomalias alimentares, como a obesidade, a bulimia e a anorexia. Trata-se do chamado "eixo HPA" (sitema composto por hipotálamo e pelas glândulas pituitária e supra-renal).
O estudo, coordenado por Grethe S. Birketvedt e Johan Sundsfjord, entre outros, foi publicado na edição mais recente da revista American Journal of Physiology Endocrinology and Metabolism.
Para a pesquisa, foram monitoradas dez mulheres, sendo cinco saudáveis e cinco com desordem de fome noturna (que consumiam mais de 50% de seu alimento diário após as 20 horas e acordavam em média 3,2 vezes por noite para comer). Por uma semana, foi dado a todas elas um hormônio para estimular o eixo HPA, simulando um efeito causado por estresse, e colheram-se amostras de sangue.
Esperava-se que, como resposta à introdução do hormônio pelos pesquisadores, as mulheres pesquisadas deveriam apresentar uma redução da atividade do hormônio liberador de corticotropina (CRH). De fato, em todas essa reação aconteceu, mas foi bem menor entre as comedoras noturas (redução da atividade em 47%) do que entre as mulheres saudáveis (redução da atividade em 71%). Os pesquisadores concluíram que as mulheres com o distúrbio alimentar podem ter menor capacidade de responder a situações de estresse.







