Privação de sono engorda
Pessoas que dormem menos do que deveriam têm duas vezes mais chances de se tornarem obesas do que pessoas que mantém o tempo ideal de sono exigido por seu organismo, sejam elas adultos ou crianças. Esse é o resultado de uma pesquisa feita junto a 28.000 crianças e 15.000 adultos pela equipe do professor Francesco Cappuccio, da Warwick Medical School, na University of Warwick (Reino Unido).
Para Cappuccio, além da epidemia de obesidade que tem ocorrido em diversos países, devido a variáveis como hábitos sedentários e alimentação desbalanceada, haveria ainda uma outra epidemia, esta silenciosa, já que não tem tanta repercussão na mídia e nos trabalhos acadêmicos: a epidemia da ausência de sono, que é paralela e contribui com a epidemia de obesidade.
O mecanismo que leva as pessoas que dormem pouco a engordar se baseia na alteração da produção de pelo menos dois hormônios. O organismo de quem dorme menos do que deveria produz mais ghrelin, hormônio que estimula o apetite, e menos leptina, hormônio que, entre outros efeitos, reduz o apetite. Os pesquisadores acreditam que este mecanismo também possa influenciar em males como diabetes e hipertensão.
Para Cappuccio, é necessário ampliar as pesquisas que relacionem questões médicas com o ambiente em que vivem os pacientes, para que se deixe de avaliar problemas como a obesidade com instrumentos limitados aos recursos clínicos ou a medicações pontuais. Interferências de fundo social e relativas ao modo de vida (hábitos familiares, estresse familiar ou no trabalho, sedentarismo etc) podem estar interferindo decisivamente em doenças consideradas crônicas por meio de mecanismos como os causados pela ausência de sono.







